Muitos escritórios sabem quanto cobram por um processo. A questão mais importante — e nem sempre fácil de responder — é outra: quanto esse processo realmente custa para ser atendido?

Conhecer esse número ajuda a precificar honorários, avaliar contratos, identificar clientes rentáveis e tomar decisões melhores sobre contratações, tecnologia e automação. Sem essa visão, é possível aumentar a carteira, o faturamento e até a equipe, mas reduzir a margem de lucro.

Em resumo: o custo por processo mostra se a receita remunera adequadamente a estrutura necessária para prestar o serviço.

Comece pelo custo médio mensal por processo

O primeiro passo é levantar quanto custa manter a operação jurídica durante um mês e dividir esse valor pela quantidade de processos ativos.

Custo operacional mensal ÷ número de processos ativos = custo médio mensal por processo

Imagine um escritório com R$ 220.000 de custos mensais e 4.000 processos ativos. O cálculo é simples: R$ 220.000 ÷ 4.000 = R$ 55. Nesse cenário, o custo médio é de R$ 55 por processo por mês.

Se determinado tipo de processo permanece ativo, em média, por 24 meses, seu custo operacional estimado será de R$ 1.320. Esse é um bom ponto de partida, mas ainda é uma média: processos diferentes exigem níveis muito diferentes de trabalho.

Nem todo processo consome a mesma estrutura

Um processo sem movimentações relevantes pode demandar pouco tempo da equipe. Outro pode envolver publicações frequentes, reuniões, atendimento ao cliente, audiências, recursos, diligências, cálculos e elaboração de peças complexas.

Por isso, depois de calcular a média geral, o ideal é avançar para uma análise por atividade. Assim, o escritório passa a entender quais etapas consomem mais tempo e quais tipos de demanda têm menor margem.

Calcule o custo da hora produtiva da equipe

Para calcular o custo de cada atividade, primeiro é necessário estimar o custo da hora trabalhada. Suponha que um advogado represente um custo total de R$ 12.000 mensais para o escritório, considerando remuneração, encargos e benefícios.

Embora o mês tenha cerca de 160 horas disponíveis, nem todas elas são dedicadas diretamente aos processos. Parte da jornada é consumida por reuniões internas, treinamentos, organização, gestão e tarefas administrativas.

Se considerarmos 75% de tempo produtivo, teremos 120 horas produtivas. Logo, R$ 12.000 ÷ 120 horas = R$ 100 por hora. O mesmo raciocínio pode ser aplicado a assistentes, paralegais, atendimento, financeiro e demais áreas envolvidas na operação.

Exemplo: custo por atividade de um processo

Considere um processo cível relativamente simples. Um atendimento inicial de uma hora pode custar R$ 100; o cadastro e a organização, R$ 20; a petição inicial, R$ 300; a revisão, R$ 160; o acompanhamento de publicações, R$ 120; os atendimentos ao cliente, R$ 90; uma manifestação intermediária, R$ 200; a audiência, R$ 300; e o encerramento, R$ 70.

Nesse exemplo, o processo já consumiu R$ 1.360 em mão de obra direta. Ainda falta considerar a estrutura necessária para que a equipe execute essas atividades.

Inclua os custos indiretos da operação

Além da mão de obra diretamente aplicada, há despesas compartilhadas por toda a estrutura: aluguel, energia, equipamentos, softwares, gestão, financeiro, contabilidade, segurança e limpeza.

Uma forma simples de distribuir esses custos é calcular um percentual de overhead. Se os custos diretamente ligados à equipe jurídica forem de R$ 150.000 mensais e os custos administrativos e estruturais somarem R$ 60.000, o percentual será de 40%.

Aplicado ao exemplo anterior, R$ 1.360 × 40% representa R$ 544. Assim, o custo estimado do processo passa a ser de R$ 1.904. Se os honorários cobrados forem de R$ 3.000, a margem estimada será de aproximadamente 36,5%.

Honorários de êxito exigem uma análise diferente

Em contratos com remuneração parcial ou integralmente vinculada ao êxito, o escritório precisa considerar também a probabilidade histórica de recebimento.

Imagine uma ação com valor econômico médio de R$ 25.000 e honorários de êxito de 20%. A receita potencial por processo seria de R$ 5.000. Em 100 processos, a receita potencial é de R$ 500.000. Porém, se a taxa histórica de êxito for de 60%, somente 60 processos gerariam receita: R$ 300.000.

Se cada processo custar R$ 2.000, o custo dos 100 processos será de R$ 200.000. O resultado estimado será de R$ 100.000. Ou seja: os processos sem êxito também precisam ser financiados pela operação.

O prazo de recebimento também afeta a rentabilidade

O valor nominal dos honorários não conta toda a história. Um contrato que gera R$ 2.500 por processo em seis meses pode ser mais vantajoso do que outro de R$ 3.500 recebido, em média, após 36 meses. Durante esse período, o escritório continua financiando salários, estrutura, acompanhamento processual, atendimento e tecnologia.

Por isso, a análise de rentabilidade deve considerar o valor dos honorários, o custo estimado por processo, o prazo médio de duração, o prazo de recebimento e a taxa histórica de êxito, quando aplicável.

Faturamento alto não significa margem alta

Um cliente com 1.000 processos que paga R$ 100 por processo ao mês gera R$ 100.000 de receita mensal. Se o custo médio for R$ 55, a margem operacional estimada será de R$ 45.000.

Outro cliente pode ter 2.000 processos e gerar R$ 140.000 mensais. Mas, se suas demandas exigirem mais atendimento, relatórios e movimentações, com custo médio de R$ 62 por processo, o resultado será de apenas R$ 16.000.

A receita é maior, mas a margem é menor. Esse tipo de análise ajuda o escritório a negociar contratos com mais segurança e identificar onde a operação está sendo pressionada.

Como medir o retorno da automação

A análise de custos também torna mais claro o impacto da tecnologia. Imagine 5.000 processos ativos. Se cada um gerar duas atividades manuais por mês, com duração média de cinco minutos, a equipe gastará 50.000 minutos — cerca de 833 horas mensais.

Com um custo médio de R$ 45 por hora, a atividade representa aproximadamente R$ 37.500 por mês. Se uma automação reduzir 70% desse trabalho, a economia potencial será de cerca de R$ 26.250 mensais, ou R$ 315 mil em um ano.

São estimativas, naturalmente. Mas elas mostram por que tarefas pequenas, quando repetidas milhares de vezes, podem se tornar despesas relevantes.

Como a tecnologia ajuda a controlar os custos

O cálculo só se torna útil quando os dados são acompanhados de forma consistente. Uma solução de gestão financeira para advocacia ajuda a centralizar receitas, despesas e informações que apoiam a análise de margem por cliente, contrato ou área de atuação.

Na operação jurídica, o controle de prazos processuais reduz o risco de tarefas críticas dependerem de controles dispersos. Já o acompanhamento de publicações e intimações automáticas pode diminuir o esforço repetitivo de leitura, classificação e distribuição de demandas.

Ao reunir essas rotinas em um software jurídico, o escritório ganha mais visibilidade sobre processos, atividades, responsáveis e capacidade operacional — informações essenciais para transformar o custo por processo em uma decisão de gestão.

Indicadores que o escritório deve acompanhar

  1. Custo operacional mensal: quanto custa manter toda a operação.
  2. Número de processos ativos: quantos processos utilizam a estrutura.
  3. Custo por Processo por Mês: custo operacional mensal dividido pela quantidade de processos ativos.
  4. Tempo médio de duração: por área, cliente ou tipo de demanda.
  5. Receita média por processo: quanto é efetivamente recebido.

Com esses dados, torna-se possível estimar o custo do processo multiplicando o custo mensal por processo pela duração média. Outro indicador útil é o número de processos ativos por colaborador operacional, sempre analisado junto com a qualidade do atendimento, os prazos e a carga sustentável da equipe.

A pergunta que revela a saúde da operação

Em um escritório com 10 mil processos, reduzir apenas R$ 5 no custo mensal de cada processo representa R$ 50.000 por mês — ou R$ 600.000 em um ano.

O objetivo não é apenas descobrir um valor contábil. É entender quais processos e clientes consomem mais estrutura, onde há retrabalho, quais atividades ocupam mais horas e onde a tecnologia pode trazer ganhos reais.

Quando o escritório acompanha o custo por processo, passa a tomar decisões mais consistentes sobre precificação, contratação, automação, gestão de carteira e estratégia de crescimento.

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Perguntas frequentes

Divida o custo operacional mensal do escritório pela quantidade de processos ativos. Para maior precisão, considere também o tempo de duração e as atividades específicas de cada tipo de demanda.

Porque processos têm níveis diferentes de complexidade e consumo de horas. O custo médio é um indicador inicial; a análise por atividade permite identificar as demandas mais onerosas.

Divida o custo mensal total do profissional, incluindo encargos e benefícios, pelo número de horas produtivas do mês, não apenas pelas horas contratuais.

Ela diminui o tempo gasto em atividades repetitivas, como organização de informações, criação de tarefas e acompanhamento de rotinas, liberando a equipe para atividades de maior valor.